Vida & Bem-estar

Lidando com a quarentena – Corona vírus e Covid 19

Tudo começou no último dia que saí realmente para resolver coisas na rua: 15 de março de 2020, um domingo, que tive que ir a loja de artigos pet comprar sachê para minha gata. As coisas estavam começando a assustar e notei que lugares que costumam encher no final de semana não estavam tão lotados, mesmo sendo depois do pagamento. Foi a última vez que realmente saí de casa e eu nem sabia.

Iniciou-se então a quarentena, jornais, órgãos de saúde, pesquisadores, todos recomendando o isolamento social por conta desse vírus. Muita gente falecendo, hospitais sem dar conta, profissionais sobrecarregados, e por fim o fechamento do comércio e de muitas outras instituições que não são mercado ou farmácia. (Inclusive tenho encomendado tudo por whatsapp ou online)

No começo não estranhei tanto porque trabalho muito em casa: tenho lojinha de cosmético online, produzo conteúdo para internet, mas ainda assim fazia vendas presenciais, maquiava clientes a domicílio ou no salão, saía para fazer cursos profissionalizantes para me aprimorar, e aos poucos foi caindo a ficha que estes últimos são seriam possíveis de serem feitos no momento. Aí que mora o perigo: o sentimento de incerteza pelo cenário econômico, muita empresa tendo que desligar funcionário, trabalhadores informais sem o ganha-pão, povo sem consumir, uma engrenagem que de repente não funcionava mais e todos sabendo que boletos não esperam…

Daí nasce a ansiedade, a angústia, as noites mal dormidas, o mau humor, e por vezes pensei que já era o fim dos tempos, que se quer adiantaria fazer planos. Não sou a pessoa mais otimista que vocês vão conhecer mas tive que tomar muito cuidado para não entrar numa negatividade cíclica e acabar vivendo o pior de tudo a todo instante. Claro que é uma situação restritiva, incômoda, delicada. Mas ficamos em casa para amenizar toda essa dor, todo esse caos. Reconheci meus privilégios: não sou a rica capa da Forbes, mas tenho onde morar, comida para comer, uma gata bagunceira para me fazer companhia, tenho um trabalho que me permite que eu não pare 100% e que pode ajudar outras pessoas, tenho saúde para notar e viver tudo isso. O futuro nunca esteve tão incerto, mas neste momento preciso viver um dia de cada vez, valorizar os detalhes, as relações, seja elas quais forem.

Ao invés de ficar resmungando, fazendo dezenas de posts nas redes sociais reclamando, me dispus a ajudar. Quem estivesse agoniado e quisesse conversar comigo, ficaria a disposição. Sendo amigo, conhecido, seguidor, não importa. Todos estamos juntos nessa e devemos aproveitar o tempo da maneira que acharmos melhor. Uns vão querer papear, outros vão querer dormir, comer, estudar, seguir com a vida fitness…Mas que fique claro que nada disso é um dever. São opções. Respeitar o que sentimos, quando sentimos é muito importante para reconhecermos limites e seguirmos fortes.

Até a próxima!

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